Milhares de pessoas ao lado de centenas de tratores invadiram hoje (21) as ruas do centro de Madri em novas manifestações de protesto contra as políticas e os regulamentos europeus para a agricultura, com críticas também ao Governo da Espanha. Segundo as autoridades, foi permitida a entrada no centro de Madrid de 500 tratores, que desde o início da manhã confluíram para a cidade em cinco colunas oriundas de diversas localizações em redor da capital espanhola. O ponto de encontro dos tratores foi a Porta de Alcalá, um dos símbolos de Madrid e onde também desde o início da manhã foram concentrando agricultores, que chegaram à cidade em automóveis. Com coletes amarelos refletores, chocalhos, apitos, vuvuzelas, bandeiras da Espanha e cartazes, os agricultores criticam “a asfixia” dos regulamentos europeus e aquilo que consideram ser a passividade do Governo espanhol perante a burocracia e regras a que estão sujeitos. Um problema que se arrasta há meses, que ainda não está resolvido e que cedo ou tarde terá consequências para o Brasil.
“Anistia para o campo, não burocracia”, “não somos a Espanha esvaziada, somos a Espanha abandonada”, “se o campo não produz, a cidade não come“, eram as frases de alguns dos cartazes e faixas empunhados pelos agricultores ou colocados nos tratores. Segundo os líderes da manifestação, permitida pelas autoridades, tratores e agricultores a pé farão ao início da tarde uma marcha até ao Ministério da Agricultura, em frente de Atocha, onde também foram se concentrando centenas de pessoas ao longo da manhã. A rotunda da Porta de Alcalá está cortada pelos manifestantes e a Câmara Municipal de Madrid afirmou haver complicações com o trânsito e os transportes públicos no centro da cidade por causa do protesto, incluindo 127 linhas de ônibus. A manifestação foi convocada pela associação União de Uniões, que acusou hoje as autoridades de terem vetado o acesso a Madrid a pelo menos 800 tratores porque havia 1.500 veículos preparados para participar no protesto.