O que já não era nenhuma novidade para o mercado acaba de ser oficializado. A Agência Moody’s rebaixou a nota de crédito corporativo da Petrobrás em dois graus, fazendo com que a estatal, a petroleira mais endividada do planeta, deixe de ser considerada oficialmente uma boa pagadora de débitos. A Petrobrás passou a ter um rating de dívida “Ba2”, contra uma classificação anterior de “Baa3”. A nota de crédito individual da companhia, por sua vez, foi de “Ba2” para “B2”. Na prática, isso deve dificultar ainda mais a possibilidade de novos financiamentos e complicar as condições de juros, que devem aumentar daqui para frente. Essa é a segunda vez no ano que a Moody’s rebaixa a petroleira.
A agência de classificação de risco justificou o rebaixamento com as preocupações da empresas com a Operação Lava-Jato e os esquemas de corrupção, além de dizer que, por conta das pressões de liquidez referentes à entrega do balanço auditado, que ainda não tem previsão para ser realizada, a classificação da estatal está sob revisão para rebaixamentos. A saída para a Petrobrás, de acordo com a agência, seria “resolver seus problemas de liquidez no curto prazo”, o que poderia levar a um crescimento dos ratings. Isso, contudo, não deve fazer com que a petroleira recupere o grau de investimento, já que, além de não garantir um caixa positivo, permanecerá em situação complicada pela Lava-Jato e possui uma dívida alta.
Esse rebaixamento pode indicar reflexos na nota do Brasil. Com previsão de estabilidade do PIB ou retração de 1%, a economia brasileira está profundamente ligada à estatal e já demonstra sinais de que sofre com o momento da Petrobrás. Recentemente, o analista de crédito soberano da Moody’s, Mauro Leos (foto), classificou a estatal como “um evento de alto risco em potencial”, ressaltando que os desdobramentos do esquemas de corrupção “estão aumentando as possibilidade do Brasil sofrer uma recessão mais acentuada esse ano”.