Durante a cerimônia de lançamento de seu livro “Construindo uma indústria nacional de petróleo offshore – a experiência da Noruega”, o pesquisador do Centro de Technologia, Inovação e Cultura da Universidade de Oslo, Helge Ryggvik, contou como foi importante para a indústria offshore da Noruega apostar na engenharia básica.”Foi fundamentalmente isso que possibilitou o crescimento da indústria, porque desenvolvemos não somente engenheiros, mas também profissionais de plataforma e outros, além de uma indústria fornecedora e contratos mais duradouros”, disse.
Presente no evento, o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi (foto), afirmou que a engenharia básica é decisiva para o sucesso das empresas brasileiras de óleo e gás, que passaria a ter maior índice de conteúdo local. “Os projetos atuais são quase todos feitos no exterior, por engenheiros que não conhecem o mercado brasileiro”, destacou o executivo. Segundo ele, isso faz com que as especificações dos projetos beneficiem as fornecedoras estrangeiras.
Uma política para privilegiar a engenharia básica brasileira do setor de petróleo e gás beneficiaria não só as empresas exploradoras, mas também toda a cadeia produtiva, com mais oportunidades para as indústrias locais. “Podemos descobrir os recursos que temos aqui, além de articular mais inovações para aumentarmos a oferta de produtos e serviços”, explicou Abijaodi.
O executivo disse ainda que a grande dificuldade para o fortalecimento dessa área é a educação. “Ainda temos grandes dificuldades na formação de pessoal, tanto no nível básico quanto no mais avançado. Com incentivos do próprio mercado, os profissionais vão querer ir para essa área”, afirmou.