Os procuradores do Ministério Público Federal membros da Força Tarefa da Operação Lava Jato concederam entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (12) para comentar as circunstâncias da prisão preventiva do ex-senador Gim Argello (PTB-DF). Nos pouco mais de 20 minutos de perguntas e respostas, os procuradores detalharam a 28ª fase, focada na atuação do ex-parlamentar na CPI do Senado e na CPMI do Senado e Câmara.
Através de delações premiadas, quebras de sigilos bancários e telefônicos, de acordo com os investigadores, foi possível concluir que Gim Argello influenciou os trabalhos das comissões para não convocar executivos das empreiteiras OAS e UTC. Em troca, doações oficiais de R$ 5 milhões foram feitas para a coligação do político, em 2014, além de R$ 350 mil depositados em uma conta da Paróquia São Pedro, local frequentado pelo ex-senador.
Na coligação de Argello, políticos de DEM, PR, PMN e PRTB, além do próprio PTB, foram beneficiados com os fundos repassados. De acordo com os procuradores, a participação de outras pessoas no esquema, além dos com mandados expedidos nesta terça, está descartada por enquanto.
Quando questionados sobre a participação de outros parlamentares, entre deputados e senadores, no mesmo tipo de esquema junto a empreiteiras, os investigadores disseram que não há quaisquer documentos de pessoas com foro, destacando que a investigação desta fase foi iniciada após a separação dos processos entre o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República, deixando para os procuradores de Curitiba os que não tem foro.
As relações entre Argello e executivos das empreiteiras foi bem documentado e apresentado na coletiva. Apesar de não haverem provas de enriquecimento ilícito ou lavagem de dinheiro, o crime se caracteriza nos encontros entre o ex-senador e Ricardo Pessoa, presidente da UTC, e a não convocação de pessoas ligadas ao esquema para depor nas comissões, como Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.
“Travestir propina em forma de doações legais é uma coisa que existe há muito tempo, agora vamos nos aprofundar sobre isso”, afirmou o procurador Carlos Fernando Lima (foto). Em outro trecho, afirmou que “a corrupção no Brasil não é partidária”, concluindo que “o uso do poder é que gera corrupção. O exercício do poder, seja por qual partido for, tem gerado corrupção. E essa corrupção tem como finalidade suprir o caixa de campanhas políticas. Tanto é verdade que esses valores, boa parte, foram encaminhados para partidos da base de apoio desse senador, Gim Argello, entre eles, partidos inclusive da oposição.”